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IA em Compras: prioridade no discurso, começo de jornada na prática

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Isabel Cardeal

30 nov 2025
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24 e 25 Março 2026

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E aí… como foram suas compras de Black Friday? Se aproveitou um bom desconto, ótimo. Mas vamos deixar o varejo e o B2C para outro momento. Hoje o foco é outro: onde as empresas estão investindo IA — e por que Compras ainda não é prioridade real.

Uma matéria recente da SAP Taulia revelou que, globalmente, apenas 35% dos líderes empresariais colocam Procurement e Supply Chain entre as áreas prioritárias para investimento em IA.

Mesmo com uma crescente demanda sobre Compras — 72% dos profissionais relatam aumento de carga de trabalho no último ano, e 44% dizem que a IA poderia ajudar a resolver os desafios — a função segue fora da linha de frente dos investimentos.

Por contraste, os recursos de IA neste momento vão com força a outras áreas e alçadas empresariais mais “visíveis”. Um levantamento global mostra que grande parte dos investimentos em IA em 2025 concentra-se em:

  • Finanças e serviços financeiros— especialmente automação de análise de risco, fraude, compliance e operações transacionais.
  • Análise de dados e business intelligence (BI + analytics)— segundo estudo de 2025, 43% das empresas já usam IA para análise de dados, e 60–70% planejam ampliar esse uso nos próximos meses.
  • Cibersegurança e infraestrutura TI— com grande parte de recursos destinados a modernização de data centers, computação com foco em IA e segurança de dados, em contexto de crescimento global de gastos em tecnologia.
  • Operações, atendimento ao cliente e funções de back-office ou serviços corporativos, buscando automação de processos manuais, produtividade, compliance e redução de custos operacionais.

Ou seja: há clareza de onde está indo o dinheiro e o esforço em IA — e a tendência global é clara: priorizar funções com impacto direto em risco, dados, finanças, segurança, analytics e eficiência operacional.

Neste cenário, Procurement — historicamente vista como função operacional, de suporte — está ficando para trás. Ainda que os profissionais da área percebam o valor da IA, o investimento não acompanha.

Isso explica por que, no panorama real das empresas e no que vimos no palco da Compras Summit da CICLO, o que domina são cases de automação com RPA e esforços de padronização e eficiência, não projetos maduros de IA ou GenAI.

Os bots de follow-up, automação de cotação, conferências de contratos, integração com ERP — isso sim está crescendo, de forma concreta. Mas IA de alto impacto estratégico ainda é exceção, não regra.

Para ser honesta com quem lê: Não há contradição entre o hype da IA e a realidade de Compras. Há timing.

E a pergunta que fica — para você, para seu público, para as empresas:

Se IA está no centro das prioridades globais, e os recursos fluem para finanças, dados, analytics, segurança e operações, por que Compras continua olhando de longe? E mais importante: o que precisa mudar para que ela entre no radar de investimento de verdade?

Enquanto não houver essa transformação — de visão, de liderança e de orçamento — o que vai realmente evoluir em Compras é o que já pode ser automatizado hoje: processos, dados, controles. E isso é essencial — mas não basta para 2026.

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