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Supply chain de 2026: desafios, perspectivas e o que o ano vai exigir das empresas

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CICLO Academy

19 jan 2026
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24 e 25 Março 2026

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Se 2025 deixou algum ensinamento claro para o supply chain, foi este: instabilidade deixou de ser exceção e passou a ser regra. O ano exigiu das empresas uma capacidade maior de adaptação, leitura de cenários e tomada de decisão sob pressão. E esse legado molda diretamente o que vem pela frente.

Para Marcelo Steffen, Sócio Associado e Líder de Supply Chain da prática de Operações da McKinsey Brasil, o setor aprendeu a operar em um ambiente de incerteza contínua. Segundo ele, três capacidades se tornaram essenciais: visibilidade contínua do que acontece (ou pode acontecer), simulação de cenários com decisões rápidas e resiliência operacional, apoiada por integração entre áreas, estoques estratégicos e mecanismos de sensing de demanda e oferta.

Esse aprendizado não fica em 2025. Ele define o ponto de partida para o supply chain de 2026.

E, para aprofundar a leitura, este conteúdo combina a visão estratégica do supply chain com recortes operacionais que ganham protagonismo em 2026. A partir da visão de especialistas que atuam tanto no nível sistêmico da cadeia quanto em áreas específicas — como logística e transporte —, analisamos onde decisões se materializam em capacidade, custo, nível de serviço e, muitas vezes, em ruptura operacional.

Os 4 principais desafios para o supply chain de 2026

A partir da visão de Steffen, 2026 combina desafios previsíveis com uma camada estruturalmente imprevisível. Entre os principais, destacam-se:

1) Transformação tecnológica das operações

Apesar dos investimentos, uma pesquisa da McKinsey de 2024 (e atualizada em 2025) mostra que apenas cerca de 25% das empresas conseguem extrair valor real das tecnologias fundacionais de supply chain — como WMS, TMS, APS e sistemas de roteirização e otimização. Em um país que convive há anos com estagnação de produtividade, isso amplia o gap competitivo frente a outras economias, como EUA, Europa, China e até mesmo nações latino-americanas.

Nesse contexto, em 2026 o desafio deixa de ser “implantar tecnologia” e passa a ser capturar produtividade, recuperar valor de investimentos já feitos e garantir retorno dos próximos.

2) Transição operacional da Reforma Tributária

A Reforma Tributária já vem provocando revisões profundas de malhas produtivas e logísticas. Em 2026, esse movimento tende a se intensificar, exigindo simulações estruturadas, decisões de médio e longo prazo e alinhamento entre custo, nível de serviço e impacto financeiro.

3) Volatilidade macroeconômica

Oscilações cambiais, riscos inflacionários e incertezas políticas, típicas de anos eleitorais (como é o caso de 2026), pressionam o planejamento. Orçamentos, S&OPs e IBPs precisam estar preparados para rodar cenários e calcular impactos com rapidez — não como exercício teórico, mas como base para decisões reais.

4) Aumento da frequência de eventos disruptivos

Por fim, há a camada mais imprevisível – e, talvez, a mais negligenciada pelas empresas. Estudos da McKinsey mostram que o número de eventos disruptivos aumentou significativamente nos últimos anos, com uma frequência média de um grande evento a cada 3,7 anos.

E esses eventos geopolíticos, macroeconômicos, climáticos ou regulatórios podem pressionar cadeias inteiras, interromper fluxos, elevar custos e comprometer níveis de serviço. Segundo Steffen, o impacto é expressivo: eles podem representar até 45% do EBITDA anual de uma empresa, diluído ao longo de uma década. Ou seja, não se trata de exceções pontuais, mas de um fator estrutural que corrói resultados de forma contínua.

Cada setor econômico — e cada empresa — precisa construir uma estratégia clara de gestão de riscos, fortalecendo a resiliência do supply chain para absorver choques, reagir mais rápido e proteger resultados no longo prazo.

Em resumo: 2026 exige aceleração da transformação operacional, resiliência habilitada por tecnologia e decisões ancoradas em visibilidade e simulação. E é preciso considerar as muitas “quebras”.

Um ano de “quebra de ritmo”: feriados, Copa e eleições

Além dos desafios estruturais, o calendário de 2026 adiciona uma camada extra de complexidade. Muitos feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições tendem a gerar descontinuidades operacionais, picos e vales de demanda e impactos diretos na produtividade.

Empresas mais maduras já sabem que o problema não está na quebra de ritmo em si, mas na falta de planejamento. Deixar claro o que é inegociável com clientes, estruturar bancos de horas, contratar capacidade flexível, dimensionar estoques estratégicos e explicitar os trade-offs entre custo e nível de serviço serão movimentos fundamentais ao longo do ano.

E quando olhamos para a logística e o transporte?

Se, no nível do supply chain, os desafios de 2026 exigem visão sistêmica, na logística e no transporte eles se tornam imediatamente concretos. É nesse elo que decisões estratégicas ganham forma — ou falham — em capacidade, custo, nível de serviço e, em casos mais críticos, em ruptura operacional.

O olhar do setor: planejamento, pessoas e estrutura

Para Marcella Cunha, diretora-presidente da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), o setor entra em 2026 diante de uma combinação de desafios estruturais e conjunturais. Entre os principais, destacam-se:

  • Os ajustes contábeis e fiscais decorrentes da Reforma Tributária;
  • A escassez de mão de obra, especialmente de motoristas;
  • E o avanço da robotização como aliada para sustentar produtividade em partes da operação.

Os feriados prolongados, Copa do Mundo e eleições exigirão uma gestão ainda mais refinada de planejamento de capacidade, alocação de mão de obra, desenho da malha logística e uso inteligente de dados. Antecipar cenários, reforçar integrações com clientes e fornecedores e investir em tecnologias preditivas serão fatores-chave para amortecer os impactos da chamada “quebra de ritmo”.

Segundo Marcella, operadores que conseguirem combinar planejamento granular com capacidade de reação rápida tendem a se manter competitivos mesmo em um ano menos favorável. Algumas estratégias ganham protagonismo nesse contexto:

  • Coordenação intermodal;
  • Compartilhamento de ativos;
  • Flexibilização de turnos;
  • Uso de centros de consolidação.

Essa leitura setorial se confirma na prática.

A operação no dia a dia: o desafio de entregar apesar de tudo

Marcelo Patrus, CEO da Patrus Transportes, traz a visão de quem vive diariamente os efeitos dessas decisões no transporte rodoviário de carga fracionada. Para ele, apesar dos juros elevados e da forte competição, 2026 tende a ser melhor que 2025 — desde que as empresas estejam preparadas.

É verdade que a quebra de ritmo impacta diretamente o setor: cada dia sem entrega representa perda operacional, especialmente quando varejo, atacado e centros de distribuição suspendem o recebimento de mercadorias. Mas, ao mesmo tempo, eventos como a Copa também geram picos de demanda em segmentos específicos (vestuário esportivo e televisores, por exemplo), exigindo ajustes rápidos de jornada, rotas e janelas de entrega.

Na prática, o setor aprende a reorganizar a operação para concentrar produtividade nos períodos úteis, antecipar entregas e manter o nível de serviço mesmo em cenários adversos. Para Patrus, não tem segredo: só consegue ter um excelente SLA (Service Level Agreement, ou seja, Acordo de Nível de Serviço), quem investe antes — em frota, terminais, tecnologia e pessoas.

O que fica para o supply chain de 2026 — e por que estar atento(a)

O recado dos especialistas converge: 2026 não será um ano simples, mas pode ser um ano melhor preparado. Planejamento, simulação, integração e capacidade de adaptação deixam de ser projetos e passam a ser rotina.

É nesse contexto que a troca de experiências, o aprendizado contínuo e o acompanhamento de tendências ganham ainda mais importância.

Os eventos e iniciativas da CICLO Academy são espaços privilegiados para aprofundar discussões, conectar visões estratégicas e práticas e preparar pessoas e organizações para os desafios deste ano. Porque, se algo ficou claro nos últimos tempos, é que o futuro do supply chain será construído por quem estiver disposto a aprender, ajustar rotas e agir com consciência estratégica.

Confira a agenda de eventos para 2026 aqui!

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