🚀 5º COMPRAS SUMMIT 2026 IA, automação e pressão por margem já estão redefinindo o futuro do procurement. O encontro mais estratégico de Compras reúne líderes e especialistas para transformar eficiência em vantagem competitiva. 📈 O futuro do Procurement já começou — sua estratégia está pronta?
A Reforma Tributária deixou de ser um tema “de acompanhamento” para se tornar uma agenda ativa dentro das empresas — e, cada vez mais, dentro da área de Compras.
Se, até pouco tempo, o protagonismo estava concentrado nas áreas Fiscal e de Tecnologia, o cenário mudou. À medida que a transição avança e os impactos começam a se materializar com mais clareza, Procurement passa a assumir um papel estratégico: traduzir mudanças tributárias em decisões concretas de custo, contratos e relacionamento com fornecedores.
2026 marca exatamente esse ponto de virada.
Mais do que entender o que vai mudar, as empresas agora precisam decidir como vão operar dentro desse novo modelo — e isso passa, inevitavelmente, por Compras.
Para aprofundar esse olhar, conversamos com Marcella Tavares Paes, Associate Partner de Supply Chain & Operations da Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda., que vem acompanhando de perto como grandes organizações estão estruturando sua preparação para a chamada “fase 2” da Reforma Tributária. O tema também está na agenda do 5º Compras Summit, reforçando sua relevância para lideranças da área. Confira aqui!
Por que 2026 marca a “fase 2” da preparação da Reforma Tributária
A transição da Reforma Tributária já começou — ainda que, para muitos, de forma silenciosa. O período inicial (2024–2025) foi dominado por análises macro, diagnósticos e construção de entendimento. Era o momento de responder perguntas como:
- Qual será o impacto financeiro da reforma?
- Quais categorias serão mais afetadas?
- Como a estrutura atual reage ao novo modelo?
Agora, em 2026, a agenda evolui. Sai o foco exclusivamente analítico e entra uma fase mais tática e operacional: transformar simulações em ações concretas.
“Em um primeiro momento, o foco estava muito na modelagem financeira em massa e na avaliação da prontidão dos fornecedores. Agora, vemos um movimento claro de aprofundamento — com análise individual de contratos estratégicos e definição de estratégias de atuação”, explica Marcella.
Ou seja: não é mais sobre entender o impacto médio. É sobre gerenciar o impacto real: contrato a contrato, fornecedor a fornecedor. Mas, antes de avançar para o que está acontecendo agora, vale entender o ponto de partida.
O que as empresas já fizeram até aqui
Nos últimos anos, dois movimentos foram praticamente universais entre empresas mais estruturadas:
· Modelagem financeira da base de fornecedores
Simulações em larga escala permitiram identificar categorias mais sensíveis, estimar ganhos ou perdas e priorizar frentes de atuação.
· Avaliação da prontidão fiscal dos fornecedores
Empresas trabalharam para garantir que fornecedores estivessem preparados para emitir corretamente notas fiscais e adaptar seus sistemas aos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). “A análise da prontidão dos fornecedores na emissão correta das notas fiscais, especialmente com destaque das tags no XML dos novos impostos, foi um ponto crítico — principalmente até a flexibilização prevista para dezembro de 2025”, diz Marcella.
Esses movimentos foram essenciais, mas não resolveram o desafio por completo. Eles respondem “quanto muda” e não “o que fazer com isso”. E é exatamente essa mudança no questionamento que define a fase atual.
Fase 2: o que muda na prática dentro das áreas de Compras
Em 2026, três movimentos passam a dominar a agenda de Procurement.
1. Análise aprofundada de fornecedores estratégicos
Sai a visão agregada; entra a análise granular. Empresas passam a segmentar fornecedores por relevância e risco, analisando contrato a contrato para entender impacto, risco de repasse e oportunidades de renegociação.
2. Evolução das ferramentas e da forma de comprar
Há um avanço no uso de tecnologia e na sofisticação dos processos de sourcing.
As organizações estão:
- Adotando ferramentas para simular impactos ao longo do tempo (até 2033);
- Estruturando análises comparativas mais completas;
- E revisando profundamente o formato das RFPs (Request for Proposal – Solicitação de Propostas).
“Há um movimento de mudança no formato das RFPs, com solicitação do preço líquido ao invés do bruto, além do destaque das alíquotas aplicadas e informações como NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços) e benefícios fiscais na cadeia”, conta Marcella.
3. Integração entre Compras, Jurídico e Fiscal
A Reforma Tributária está forçando uma atuação mais integrada entre áreas que, historicamente, operavam de forma independente.
Hoje, vemos:
- Jurídico revisando contratos com foco em flexibilidade e proteção;
- Fiscal orientando sobre impactos e compliance;
- Compras traduzindo isso em estratégia de negociação.
“Observamos um fortalecimento da colaboração entre Compras, Jurídico e Fiscal para alinhar estratégias, garantir conformidade e definir abordagens viáveis de renegociação e bloqueio de repasses de custos”, diz a especialista.
E como contratos e sourcing estão sendo redesenhados
A Reforma Tributária não está impactando apenas “o que comprar” ou “de quem comprar”. Ela está transformando, ao mesmo tempo, a estratégia de sourcing e a lógica contratual que sustenta essas decisões.
Algumas mudanças se destacam:
• Gestão de risco e flexibilidade contratual
Inclusão de cláusulas de renegociação e mecanismos de compartilhamento de risco.
• Redesenho do sourcing
Diversificação e regionalização da base de fornecedores.
• Evolução da gestão de custos
Revisão de contratos híbridos, condições de pagamento e maior exigência de dados fiscais.
E um dos efeitos mais profundos da reforma está na dinâmica da cadeia de fornecedores.
Cadeia de fornecedores: o que está mudando de verdade
Com a eliminação da cumulatividade e com o crédito amplo (exceto para itens de uso pessoal), o custo total de aquisição pode ter um impacto positivo para algumas empresas, não só para a empresa em si, mas também em toda a cadeia de fornecimento.
Neste sentido, há um movimento, nas empresas mais adiantadas nas discussões e análises de um mapeamento mais profundo da cadeia (tier 2 e tier 3) para identificar riscos ocultos, resíduos tributários e garantir que potenciais reduções de custo ao longo da cadeia cheguem até a empresa.
“Esta análise pode vir de fontes externas com uma acuracidade variada ou via maior colaboração com fornecedores-chave e maior abertura de custos”, diz Marcella.
Como essa adaptação já está acontecendo em algumas empresas
Há empresas que já estão estruturando iniciativas concretas para lidar com esses impactos. “A EY realizou mais de 100 projetos focados na preparação e redução dos impactos da reforma. É um tema que começou em impostos, passou por tecnologia e hoje está em toda a organização”, afirma Marcella, citando dois exemplos em empresas.
Exemplo 1: revisão contratual e governança da mudança
Uma empresa estruturou um projeto dividido por workstreams, com forte atuação da área legal na revisão de contratos, definição de abordagens para fornecedores, centralização de alterações e criação de playbooks para orientar stakeholders. A preparação envolve análise detalhada de contratos, comunicação e negociação com fornecedores, além de reuniões semanais para acompanhamento e ajustes. Procurement atua diretamente na estratégia e na comunicação, garantindo execução coordenada.
Exemplo 2: modelagem tributária para negociação com fornecedores
Outra empresa realizou uma modelagem detalhada do impacto tributário na precificação, considerando a perda de benefícios fiscais de distribuidores por estado. O objetivo é estar preparado para futuras negociações — especialmente diante de possíveis pedidos de repasse por parte dos fornecedores.
Para quem ainda não começou: por onde iniciar?
Ainda há empresas em estágio inicial — e, neste momento, a diferença entre reagir e se antecipar será determinante. “Antecipar análises gera uma vantagem competitiva clara. Organizações que começam cedo conseguem mitigar riscos e capturar eficiência”, resume Marcella.
Os primeiros passos passam por três pilares:
- Capacitação: entender novos conceitos e evitar decisões fragmentadas;
- Dados e visibilidade: garantir base de fornecedores consistente e informações confiáveis;
- Estratégia integrada: conectar Compras com logística, fiscal e comercial para uma leitura completa da cadeia.
Outro passo essencial é avançar em abertura e transparência de custos. A transformação fiscal tende a redistribuir custos ao longo da cadeia, e Compras precisa compreender:
- Quais componentes de custo são mais sensíveis à mudança tributária;
- Onde há risco de repasse;
- E onde existem oportunidades de renegociação ou redesenho de escopo e cadeia.
A transição será gradual, mas os efeitos começam antes.
Como lideranças de Compras podem se preparar para os próximos passos
A Reforma Tributária já está no centro da agenda de lideranças de Compras e Supply Chain. Para aprofundar esse (e outros) debate, a CICLO Academy promove encontros com executivos do mercado — como o 5º Compras Summit, que acontece em 20 de maio, em São Paulo.
O evento reúne CPOs e líderes para discutir como as organizações estão evoluindo suas estratégias e fortalecendo resultados. Garanta sua participação e acompanhe de perto como o mercado está se preparando!
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