🚀 5º COMPRAS SUMMIT 2026 IA, automação e pressão por margem já estão redefinindo o futuro do procurement. O encontro mais estratégico de Compras reúne líderes e especialistas para transformar eficiência em vantagem competitiva. 📈 O futuro do Procurement já começou — sua estratégia está pronta?
“Existe alguma ‘verdade’ em procurement que está prestes a ‘deixar de ser verdade’ com o avanço da IA?” Essa foi uma das perguntas que levamos para dois especialistas da área: Léo Alexander e Ricardo Taborda dos Reis. E talvez a principal mudança já esteja acontecendo diante dos olhos das empresas: procurement deixou de ser uma área puramente reativa.
Durante muito tempo, o fluxo era relativamente previsível. A área recebia uma demanda, fazia cotação, negociava preço, emitia pedido e garantia abastecimento. Esse modelo continua existindo — e segue importante. Mas, sozinho, já não responde ao nível de complexidade, velocidade e pressão estratégica que as empresas enfrentam hoje.
“Estamos encerrando a era do procurement reativo e entrando na era do procurement preditivo, orientado por dados e muito mais integrado à estratégia do negócio”, afirma Léo Alexander, CEO da Procurement Garage Consultoria.
Só que, para Ricardo Taborda, é mais fácil responder o que não vai deixar de ser verdade. “A missão de procurement não deixará de ser verdade com a IA. Já o como realizá-la, sim”, diz o Managing Partner na 7D Analytics.
Na prática, isso significa que indicadores tradicionais como savings e prazo de atendimento continuam relevantes — mas já não contam a história inteira. Com analytics, automação e inteligência artificial, procurement começa a assumir um papel mais conectado à resiliência, mitigação de risco, inteligência de mercado e capacidade de decisão.
E é aí que tecnologia e IA começam a mudar não apenas os processos da área, mas a própria lógica de funcionamento de Compras.
Como a automação começou transformando procurement
A transformação digital em procurement ganhou força quando a tecnologia deixou de prometer apenas inovação e começou a resolver problemas concretos da operação. Segundo Léo, as soluções que mais avançaram nos últimos anos foram justamente aquelas capazes de reduzir fricções operacionais e ampliar visibilidade sobre processos, fornecedores e contratos.
Os gargalos operacionais que a tecnologia começou a resolver
Ferramentas de source-to-pay, procure-to-pay, spend analysis, gestão de contratos, automação de pedidos e portais de fornecedores passaram a integrar a rotina de empresas mais maduras. Não como diferencial futurista, mas como infraestrutura básica da área, resolvendo gargalos históricos. Entre eles: excesso de tarefas manuais, baixa visibilidade de gastos, pouca integração entre áreas e dificuldade de controle.
E o principal ganho não está apenas na automação em si, mas na integração dos fluxos de informação.
“No passado, muitas empresas implementavam grandes plataformas com baixa adesão. Hoje, quando a implantação é bem feita, a tecnologia reduz trabalho manual, aumenta compliance e amplia a visibilidade sobre fornecedores, categorias, contratos e riscos”, explica o CEO e PG Consulting da Procurement Garage.
Como a automação libera procurement para decisões mais estratégicas
Na prática, atividades como requisições, aprovações, conferência de notas fiscais e acompanhamento operacional passaram a consumir menos tempo das equipes. Isso libera procurement para atuar onde a área gera mais valor: análise, estratégia e tomada de decisão.
Mas automatizar processos foi apenas a primeira camada dessa transformação. Quando os fluxos começaram a gerar dados estruturados, procurement passou a ganhar algo que historicamente sempre foi mais difícil para a área: capacidade analítica em escala.
E, se a automação resolveu parte da operação, o próximo passo da transformação aconteceu justamente nos dados.
Como dados e IA começaram a gerar inteligência em Compras
Historicamente, procurement sempre teve dificuldade para consolidar informações de forma estruturada. Entender quem compra, o quê, de quem, por quanto e sob quais condições nem sempre foi simples — especialmente em empresas com sistemas fragmentados, contratos descentralizados e pouca padronização.
É justamente aí que analytics e inteligência artificial começaram a gerar valor mais concreto. Com IA aplicada à análise de gastos, as empresas conseguem identificar:
- Fragmentação de fornecedores;
- Compras fora de contrato;
- Oportunidades de consolidação;
- Desvios de processo;
- Desperdícios que antes passavam despercebidos.
O valor da tecnologia começa a aparecer na qualidade da decisão.
Isso também transforma o perfil do comprador. Durante muito tempo, grande parte do conhecimento da área estava concentrado na experiência individual e no relacionamento construído ao longo dos anos. Essa experiência continua sendo decisiva — talvez ainda mais agora —, mas passa a ser potencializada por dados.
Onde a IA já entrega resultado em procurement
A inteligência artificial generativa também começou a ganhar aplicações práticas em procurement. Hoje, ela já apoia diversas atividades. Entre elas:
- Criação inicial de RFPs (Request for Proposal ou Solicitação de Proposta);
- Sumarização de propostas;
- Análises preliminares de contratos;
- Geração de perguntas para negociação;
- Atendimento a fornecedores;
- Suporte a usuários internos;
- Consolidação de dados e cenários de compra.
Mas os dois especialistas fazem uma ressalva importante: IA não substitui julgamento. “Ela entrega valor quando funciona como copiloto do comprador, não como solução autônoma e milagrosa”, diz Léo.
Ricardo Taborda complementa dizendo que o grau de confiabilidade da IA depende diretamente do tipo de decisão envolvida. “Qualquer agente é confiável quando a resposta é aberta — ou seja, quando vários caminhos podem ser aceitáveis. Mas se torna menos confiável quando existe apenas uma resposta correta em sistemas pouco estruturados”, diz.
Segundo ele, o julgamento humano continua sendo decisivo principalmente em cenários com trade-offs mutáveis — quando os critérios de decisão mudam ao longo do tempo.
E isso ajuda a explicar por que procurement continua sendo uma área profundamente estratégica, mesmo em um cenário de automação crescente. Negociação envolve leitura de mercado, influência, confiança, interpretação de risco e gestão de trade-offs. Ou seja, quanto mais a tecnologia automatiza o operacional, mais o fator humano ganha relevância nas decisões complexas.
O que as empresas mais maduras estão fazendo de diferente
Os cases mais maduros de procurement digital — no Brasil e fora — têm algo em comum: não usam tecnologia apenas para digitalizar processos antigos, mas para redesenhar a lógica de decisão em Compras.
Segundo Léo, maturidade digital em procurement normalmente aparece quando alguns elementos começam a funcionar juntos:
- Dados estruturados;
- Processos padronizados;
- Gestão da mudança;
- Alta adesão às plataformas;
- Tecnologia conectada à estratégia do negócio.
Ou seja, não se trata de acumular funcionalidades. Trata-se de gerar previsibilidade, governança e inteligência operacional.
De acordo com o especialista, cases conduzidos pela PG Consulting em empresas como Wilson Sons, Votorantim e Natura mostram ganhos relevantes em conformidade, visibilidade de gastos, redução de ciclo e disciplina de processo.
Outro ponto importante está na experiência do usuário. “Quando a experiência melhora, a compra passa a acontecer dentro do processo — e não ao lado dele”, diz. Pode parecer um detalhe, mas isso muda a captura de valor da área. Reduz compras fora de política, aumenta governança, melhora poder de negociação e amplia previsibilidade sobre gastos.
Procurement deixou de tratar todas as categorias da mesma forma
As empresas mais maduras também passaram a abandonar uma visão homogênea da área. Categorias estratégicas passaram a operar com análises de mercado, modelos de custo, gestão de risco e colaboração com fornecedores. Já categorias de baixo valor e alta repetição avançaram para catálogos, automação e autoatendimento.
“Comprar matéria-prima crítica é completamente diferente de comprar item de escritório ou serviço recorrente”, explica Léo.
Essa segmentação muda a forma como procurement distribui esforço, tecnologia e inteligência dentro da operação.
O futuro do procurement será cada vez mais preditivo
A próxima fase de procurement provavelmente não será liderada apenas pelas empresas que automatizam mais processos. Será liderada por organizações que conseguem transformar dados, automação e IA em capacidade real de decisão.
Isso exige tecnologia. Mas exige também maturidade operacional, integração entre áreas, qualidade de dados e profissionais preparados para interpretar cenários complexos. Porque, no fim, talvez a grande transformação não esteja na missão de procurement — e sim na forma como ela será executada daqui para frente.
Procurement começa a consolidar um novo papel dentro das organizações: conectar eficiência operacional, inteligência de dados e capacidade de decisão em um ambiente cada vez mais volátil. E é justamente essa transformação que a CICLO Academy vem discutindo com líderes e executivos do mercado.
No dia 20 de maio, em São Paulo, o 5º Compras Summit reúne CPOs, especialistas e lideranças da área para debater como procurement está evoluindo — da operação para a inteligência estratégica.
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