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Compras Summit 2026: 5 fatores que comprovam a evolução do procurement

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26 maio 2026
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20 de maio 2026

🚀 5º COMPRAS SUMMIT 2026 IA, automação e pressão por margem já estão redefinindo o futuro do procurement. O encontro mais estratégico de Compras reúne líderes e especialistas para transformar eficiência em vantagem competitiva. 📈 O futuro do Procurement já começou — sua estratégia está pronta?

A área de procurement está assumindo um novo papel dentro das organizações. Tradicionalmente associada à negociação com fornecedores e à busca por eficiência, a função passa a ocupar espaço cada vez maior nas decisões estratégicas, influenciando temas como inovação, gestão de riscos, transformação digital, sustentabilidade e competitividade. Esse foi o centro das discussões durante o 5º Compras Summit, promovido pela CICLO Academy no dia 20 de maio, em São Paulo.

O evento reuniu mais de 400 executivos, líderes e especialistas para discutir como o procurement está migrando de uma atuação mais operacional para uma função que também gera valor estratégico. E isso é especialmente importante em um cenário marcado por volatilidade econômica, mudanças regulatórias, pressão por eficiência e avanço acelerado das tecnologias digitais. A proposta da curadoria foi reunir casos práticos capazes de ajudar os participantes a transformar conhecimento em ação já no dia seguinte.

Ao longo do dia, houve plenárias, apresentações de cases e masterclasses com líderes de diversas empresas. Entre elas: Accenture, Warner Bros. Discovery, Localiza&Co, Pfizer, XP Investimentos, Ingredion, Citrosuco, CPFL, General Mills, Adient, 7D Analytics, Combio, PG, Natura, PwC, Copel, Indorama, Acelen, Madero, Elanco, Siemens, SKF e Reckitt. 

“A área de Compras sempre vai ter como missão gerar produtividade e eficiência. Isso nunca vai mudar. Mas a forma de fazer isso mudou completamente”, disse Bernardo Araújo, Diretor de Suprimentos da Localiza&Co. “Compras precisa trazer alternativas, inovação, redução de custos, relacionamento com fornecedores e visão de negócio. Precisa ser parceira das áreas da companhia e ajudar a construir soluções”. 

Confira os 5 principais destaques do Compras Summit 2026

1. Procurement na geração de valor estratégico

No processo de evolução da área de Compras de uma função mais operacional para uma função também estratégica, a inteligência artificial foi apontada pelos executivos como uma das ferramentas que aceleram essa transformação. Dessa vez, porém, com uma diferença: sem o foco na tecnologia como tendência, mas como aplicações concretas e resultados mensuráveis.

Um dos exemplos veio do Bernardo Abranches, Head of Procurement Brazil da Warner Bros. Discovery, que utilizou IA para consolidar e analisar uma base global com mais de 40 mil contratos durante um processo de transformação corporativa. A tecnologia permitiu identificar contratos expirados, renovações automáticas, oportunidades de renegociação e informações dispersas em diferentes regiões e idiomas.

Segundo Abranches, o principal ganho não esteve apenas na velocidade, mas na capacidade de transformar volumes massivos de informação em inteligência para o negócio. “A IA faz em poucas horas um trabalho que consumiria meses de uma equipe. Quando você está falando de mais de 40 mil contratos espalhados pelo mundo, em diferentes idiomas e formatos, o grande ganho não é apenas velocidade. É conseguir encontrar padrões, identificar riscos e capturar oportunidades que provavelmente passariam despercebidas em uma análise manual.”

Para Rafael Bonini, Managing Director da Accenture, a discussão sobre inteligência artificial mudou de patamar na área. “A IA deixou de ser aquele buzzword que todo mundo repetia sem saber exatamente como aplicar. Hoje ela já está gerando resultado real. Mas existe um erro muito comum: querer fazer tudo ao mesmo tempo”, explica. “Essa é uma jornada longa. É preciso entender onde estão as dores, quais oportunidades geram mais valor, qual é o retorno esperado e por onde começar”.

Para Fabio Zanandrea, Procurement Director da Acelen, o profissional de Compras que conhece bem a estratégia da empresa é o que consegue melhor desenhar novos processos para essa estrutura. “A tecnologia vem depois. O mais importante é construir uma organização capaz de suportar a direção que o negócio quer seguir”, diz.

“Inteligência artificial não substitui processos bem estruturados nem equipes preparadas”, esse foi o consenso geral entre os palestrantes.

“Antes da IA precisamos trabalhar maturidade e dados. Se você não tiver adesão aos processos, adesão às políticas, qualidade da informação e sistemas capazes de gerar inteligência para a tomada de decisão, dificilmente vai ter sucesso”, disse Jamil Syrio, Head of Procurement da XP Investimentos, que destacou também como muitas empresas ainda tentam começar a transformação pelo fim. “Você pode ter a melhor ferramenta do mundo, mas se o processo anterior não estiver funcionando, há grandes chances de se frustrar com o resultado”.

As discussões também mostraram uma diferença significativa de maturidade entre as empresas. Enquanto algumas organizações já utilizam agentes inteligentes, automação avançada e análises preditivas, outras ainda enfrentam desafios básicos relacionados à qualidade dos dados, integração de sistemas e adesão aos processos internos.

“A tecnologia é uma habilitadora, não faz nada sozinha. Antes dela, eu preciso ter pessoas com o skill correto, a estrutura correta, os processos corretos e o mindset correto”, disse Bonini. “Se eu inverter essa lógica, vou implementar tecnologia sem conseguir capturar os benefícios que ela pode gerar.”

A discussão levou a um ponto recorrente ao longo do evento: antes de falar em inteligência artificial, automação ou analytics, muitas organizações ainda estão concentradas em construir os fundamentos que sustentam essa transformação.

2. Transformação começa pela fundação

Se a inteligência artificial apareceu como um dos temas mais discutidos do evento, diversos palestrantes reforçaram que os resultados dependem da construção prévia de uma base sólida de gestão.

Daniel Saito, South America Procurement Director da Adient, apresentou a jornada de estruturação da área de compras indiretas da companhia, iniciada a partir da centralização de processos, definição clara de responsabilidades, criação de indicadores, gestão de categorias e desenvolvimento das equipes. Segundo ele, antes de buscar soluções mais sofisticadas, foi necessário criar uma linguagem comum para toda a organização e aumentar a visibilidade sobre fornecedores, contratos e gastos.

“Tudo começa com pessoas. Depois das pessoas, vêm processos. E depois, os dados. Se não temos dados, não conseguimos melhorar nada”, afirmou. Entre as medidas implementadas estavam a criação de processos padronizados de compras, a classificação estruturada dos gastos e categorias de compras, a especialização dos compradores por categoria e o fortalecimento da gestão de contratos e indicadores de desempenho.

A mesma lógica apareceu no case apresentado por Guilherme Teixeira, Supply Chain & Procurement Executive da CPFL Energia. O executivo mostrou como a companhia estruturou um Centro de Excelência (COE) para integrar processos, centralizar dados e criar as condições necessárias para a evolução digital da área. “A gente vem falando muito de IA, muito de automação, mas o mais importante é o como chegar lá. Como a gente constrói o alicerce e traduz toda essa jornada até a automação e a inteligência artificial”, afirmou.

A experiência também evidenciou um desafio recorrente em processos de transformação digital: a qualidade dos dados. Segundo Teixeira, grande parte do trabalho envolveu justamente padronizar informações que estavam dispersas entre diferentes unidades de negócio e sistemas, criando uma base única capaz de sustentar iniciativas futuras. “Tudo que eu faço pensando em uma unidade de negócio eu tenho que pensar de que maneira eu escalo isso dentro da companhia”, disse.

3. O comprador do futuro: menos operacional e mais estratégico

A transformação digital passou a exigir uma mudança no perfil esperado dos profissionais da área. Segundo Bonini, um dos desafios atuais é substituir um modelo focado na execução por profissionais capazes de liderar categorias, interpretar dados e apoiar decisões estratégicas.

“Na área de Compras vemos muito o perfil de pessoas ligadas na operação e no transacional. Mas essa nova construção exige senioridade“, destacou. “Precisamos deixar de ter apenas alguém executando requisições para ter profissionais capazes de liderar categorias, entender mercados e apoiar decisões de negócio.”

Pedro Durigon, Head of Procurement da Citrosuco, acredita que as competências comportamentais passam a ser cada vez mais importantes no cenário atual. “Hoje não basta acompanhar os movimentos do mercado. É preciso entender esses movimentos, comunicar internamente seus impactos, construir alianças estratégicas e ajudar a companhia a tomar decisões melhores. É dessa forma que procurement gera valor, antecipa riscos e ajuda a reduzir custos“.

Durigon destaca que Compras é uma área de interação e comunicação que, mais do que nunca, exige profissionais curiosos, que queiram aprender, transitar entre áreas e entender tecnologia. “Eu costumo dizer que me interessa mais o soft do que o hard. O conhecimento técnico a gente desenvolve. O mais importante é ter gente disposta a resolver problemas e aprender constantemente“.

Daniel Saito, da Adient, destacou que processos bem definidos são importantes, mas precisam ser acompanhados de flexibilidade, empatia e desenvolvimento contínuo – destacando que precisamos cada vez mais das pessoas. “Não adianta falar de pessoas apenas durante a avaliação anual. O desenvolvimento acontece no dia a dia. É entender as frustrações, os objetivos de carreira, fazer conversas frequentes e construir confiança”. 

Para o executivo, o equilíbrio entre processos e gestão humana continua sendo um dos fatores mais importantes para o sucesso das organizações. “Num ambiente cada vez mais acelerado, muitas vezes a gente não tem tempo nem para dar um bom dia para as pessoas. E esse talvez seja um dos grandes desafios das lideranças hoje.”

4. Fornecedores deixam de ser apenas fornecedores

Outro tema recorrente foi a evolução do relacionamento com fornecedores. Em vez de enxergar parceiros apenas como prestadores de serviço, as empresas vêm buscando construir relações mais colaborativas e orientadas à geração conjunta de valor.

A Localiza&Co apresentou o programa Fornecedor Sangue Verde, iniciativa que avalia parceiros em critérios como qualidade, inovação, sustentabilidade, conformidade e desempenho operacional. Segundo Bernardo Araújo, o objetivo vai além da avaliação de performance. “É um programa que preza pela melhoria contínua e pelo desenvolvimento dos fornecedores. Nosso objetivo é fornecer feedbacks que permitam aos parceiros evoluir continuamente e construir relações cada vez mais sólidas. Quando o fornecedor melhora, toda a cadeia melhora junto.”

A discussão apareceu também em outras apresentações, reforçando a ideia de que fornecedores estratégicos são fundamentais para inovação, sustentabilidade, resiliência e competitividade e gerir essa categoria faz parte do novo perfil do profissional de compras.

5. ESG, sustentabilidade e mudanças climáticas desafiam a lógica tradicional de compras

Embora a sustentabilidade esteja cada vez mais presente na agenda corporativa, os executivos reconheceram que sua implementação ainda enfrenta desafios importantes. 

Para Rafael Bonini, a principal dificuldade está em conciliar metas ESG com a pressão histórica por redução de custos. “Ninguém tem dúvida de que sustentabilidade é importante. Os acionistas e os clientes estão demandando cada vez mais isso. O desafio é que isso custa dinheiro. E Compras foi treinada durante décadas para gastar menos”, explicou. “Existe uma mudança de mindset acontecendo. A liderança precisa comprar essa ideia, vestir a camisa e traduzir essa prioridade para dentro das áreas.”

O tema apareceu de forma prática no case apresentado pela Ingredion, que mostrou uma parceria voltada à substituição de combustíveis fósseis por biomassa industrial. A iniciativa buscou reduzir emissões, aumentar a segurança energética e fortalecer a sustentabilidade operacional. 

“Conseguimos construir uma parceria estratégica de longo prazo, isso trouxe uma lição importante: não pensar apenas em preço”, explicou Claudia Hincapie, da Ingredion. “O valor pode vir de várias formas. Pode vir da sustentabilidade, da segurança energética, da redução de riscos e da capacidade de construir soluções junto com o fornecedor”.

As discussões também mostraram que fatores climáticos estão deixando de ser um tema periférico para se tornarem parte da gestão de riscos das cadeias de suprimentos. Embora mudanças climáticas raramente apareçam entre os temas tradicionais de procurement, o assunto surgiu diversas vezes ao longo do evento como um fator cada vez mais relevante para gestão de riscos e planejamento das cadeias de suprimentos.

Pedro Durigon relatou que eventos climáticos extremos já vêm afetando diretamente a produção agrícola e exigindo novas estratégias de mitigação de riscos. “Ano passado tivemos uma quebra de aproximadamente 30% da safra. Agora tivemos uma recuperação de cerca de 25%. Estamos vivendo oscilações muito abruptas. Isso impacta oferta, preço, demanda e planejamento. E quando você trabalha com culturas agrícolas de longo prazo, os efeitos não aparecem apenas hoje. Eles afetam os próximos anos.”

Segundo ele, as empresas começam a revisar regiões produtivas, modelos logísticos e estratégias de fornecimento para lidar com uma realidade cada vez mais imprevisível. “O jogo pronto não existe mais. A sazonalidade está ficando menos previsível. O que antes era relativamente estável hoje muda muito mais rápido e isso vale para tudo.”

Sua área de Compras está preparada para gerar valor nos próximos anos?

Ao final do evento, ficou evidente que a área de Compras atravessa uma das maiores transformações de sua história. Hoje, procurement passa a atuar na interseção entre tecnologia, dados, sustentabilidade, gestão de riscos, inovação, fornecedores estratégicos e adaptação de mercado. O futuro do procurement não será definido apenas pela adoção de novas tecnologias, mas pela capacidade de transformar essa combinação em diferencial competitivo. 

Mais do que comprar melhor, o desafio agora é gerar valor em um ambiente cada vez mais complexo, imprevisível e conectado às estratégias de longo prazo das organizações. É como disse Pedro Durigon ao encerrar sua participação: “não espere o momento ideal. Seja protagonista. Provoque sua companhia a buscar soluções. O tempo vai passar de qualquer forma.”

Acompanhe os próximos eventos da CICLO Academy com temas que estão transformando procurement, supply chain, logística e operações. O próximo é o 40º Simpósio Supply Chain, que acontece nos dias 25 e 26 de agosto de 2026, em São Paulo (SP). Garanta sua participação e faça sua inscrição!

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