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Da automação aos agentes inteligentes: o novo estágio de maturidade do Procurement

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CICLO Academy

15 jun 2026
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25 e 26 de agosto de 2026

🚀40º Simpósio Supply Chain O PODER DA DECISÃO NA NOVA CADEIA DE VALOR Mais pressão por eficiência, IA acelerada e decisões cada vez mais críticas. O Simpósio Supply Chain 2026 reúne executivos que lideram essa transformação para tornar a cadeia mais conectada, inteligente e competitiva — do planejamento à execução. Dois dias de imersão estratégica. Decisões que geram impacto real.

Durante anos, a transformação digital em procurement esteve associada principalmente à automação. Plataformas de compras, fluxos eletrônicos de aprovação, catálogos digitais, sistemas de sourcing e iniciativas de RPA (Robotic Process Automation) ajudaram empresas a reduzir tarefas repetitivas, ganhar eficiência operacional e melhorar o controle sobre os processos.

Mas as discussões do 5º Compras Summit, evento promovido pela CICLO Academy em São Paulo, mostraram que a área está entrando em uma nova fase.

Se antes o desafio era automatizar atividades, agora o foco está em ampliar a capacidade de análise, melhorar a qualidade das decisões e posicionar procurement como uma função cada vez mais estratégica para os negócios.

A inteligência artificial está acelerando essa transformação. No entanto, os especialistas foram unânimes em um ponto: a tecnologia, sozinha, não representa uma ruptura. Na prática, ela é resultado de um processo de amadurecimento que começou muito antes, com a estruturação de processos, dados, governança e novas formas de atuação da área.

Alguns cases apresentados, como os da XP Investimentos, Warner Bros. Discovery e Acelen, mostraram como organizações em diferentes contextos estão utilizando IA para acelerar análises, apoiar decisões estratégicas e aumentar a geração de valor da área de compras. É isso o que vamos apresentar neste conteúdo.

Procurement volta ao centro das decisões

Para Rafael Bonini, Managing Director da Accenture, os últimos anos recolocaram procurement no centro da agenda executiva. Rupturas nas cadeias globais, inflação, conflitos geopolíticos e pressão crescente sobre custos fizeram com que a área passasse a influenciar diretamente eficiência operacional, gestão de riscos, conformidade regulatória e resultados financeiros.

“O problema não é comprar. O problema é decidir comprar da melhor forma e da forma mais eficiente”, destacou Bonini durante a abertura do evento.

Nesse contexto, modelos baseados em controles manuais e atuação reativa já não conseguem responder à velocidade exigida pelos negócios. É por isso que dados, automação e inteligência artificial estão assumindo um papel cada vez mais relevante.

Da automação para a inteligência

A primeira etapa da transformação digital em procurement foi marcada pela automação de processos. Os RPAs permitiram ganhos importantes de produtividade ao executar tarefas repetitivas e padronizadas, mas seu escopo era limitado à execução de tarefas previamente definidas.

Agora, a discussão evolui para outro patamar. Segundo Bonini, a área caminha de um modelo operacional para um modelo de autonomia automatizada. “O modelo vai avançando do operacional ao autônomo, melhorando a qualidade, a velocidade e a consistência das decisões.”

A inteligência artificial deixa de apenas executar atividades para apoiar análises, identificar padrões, avaliar riscos e gerar recomendações para tomada de decisão. Porém, existe uma condição fundamental para que isso funcione: dados. Sem processos estruturados e informações confiáveis, nem a IA mais avançada consegue gerar valor.

Como essa transformação acontece na prática

Alguns cases apresentados durante o evento mostraram que a inteligência artificial já está sendo aplicada muito além da automação tradicional.

  • XP Investimentos: agentes liberam compradores

A XP Investimentos vem construindo uma jornada de inteligência artificial baseada em agentes especializados para apoiar diferentes etapas do processo de compras.  Antes de falar sobre tecnologia, porém, Jamil Syrio, Head of Procurement da companhia, reforçou uma premissa importante: maturidade operacional vem antes da IA.

“Você pode ter a melhor ferramenta do mundo, mas se o processo anterior não estiver funcionando, há grandes chances de se frustrar com o resultado”.

Com essa base estabelecida, a empresa começou a aplicar inteligência artificial em atividades que tradicionalmente consumiam muitas horas das equipes de compras, como a equalização técnica e comercial de propostas.

Em processos com milhares de linhas e múltiplos fornecedores, a tecnologia consegue comparar informações, identificar divergências de nomenclatura, apontar distorções de preços e organizar dados em poucos segundos.

Hoje, a empresa já utiliza inteligência artificial em diferentes etapas do fluxo de compras. “A lógica é usar agentes especializados. Um pode analisar riscos, outro pode atuar na leitura de contratos, outro pode apoiar uma análise tributária ou financeira. A decisão continua sendo humana, mas a capacidade de análise aumenta muito”, explicou.

O objetivo não é substituir compradores, mas direcionar seu tempo para atividades de maior valor agregado, como negociações, estratégia e relacionamento com fornecedores.

  • Warner Bros. Discovery: IA transforma 40 mil contratos em inteligência

A Warner Bros. Discovery apresentou um exemplo de aplicação da IA em um desafio corporativo de grande escala. Durante um processo de reorganização societária, a companhia precisava compreender rapidamente uma base com mais de 40 mil contratos distribuídos por diferentes países, idiomas e unidades de negócio.

A análise manual seria inviável.

A solução foi utilizar inteligência artificial para consolidar, organizar e interpretar esse enorme volume de informações. O projeto permitiu identificar contratos expirados, cláusulas de renovação automática, oportunidades de renegociação e riscos contratuais espalhados pela operação global.

Além de acelerar análises, a iniciativa também transformou documentos dispersos em inteligência estratégica para apoiar decisões de negócio.

Segundo Bernardo Abranches, Head of Procurement Brazil da Warner Bros. Discovery, o principal ganho não foi apenas velocidade.

“A IA faz em poucas horas um trabalho que consumiria meses de uma equipe. Quando você está falando de mais de 40 mil contratos em diferentes idiomas e formatos, o grande ganho não é apenas velocidade. É conseguir encontrar padrões, identificar riscos e capturar oportunidades que provavelmente passariam despercebidas em uma análise manual”.

  • Acelen: maturidade vem antes da tecnologia

Outro aprendizado importante veio da Acelen.

Ao compartilhar a transformação da área de suprimentos após a transição da Refinaria de Mataripe para a iniciativa privada,  Fabio Zanandrea, Procurement Director da empresa, mostrou que o principal desafio não foi tecnológico. Foi organizacional.

A área precisou revisar processos, estruturas, indicadores, governança e relacionamento com fornecedores para migrar de um modelo focado em governança e controle para uma atuação orientada à geração de valor e velocidade de decisão.

Somente depois dessa etapa a tecnologia entrou como aceleradora da transformação.

“Normalmente a gente conhece a estratégia da empresa, pensa na estrutura que vai atender essa estratégia, desenha os processos e então coloca os sistemas para trabalhar a nosso favor.”

O case reforçou uma das mensagens mais presentes ao longo do evento: inteligência artificial potencializa resultados, mas não corrige processos frágeis nem substitui dados de baixa qualidade.

O próximo salto: agentes de decisão

A próxima etapa dessa evolução foi apresentada em uma masterclass por Ricardo Taborda, Managing Partner na 7D Analytics. Segundo ele, o mercado está migrando rapidamente do uso de ferramentas isoladas para agentes inteligentes capazes de atuar como especialistas digitais em diferentes atividades.

“Quando falamos de IA, muitos pensam apenas no ChatGPT, mas ela é um conjunto muito maior de tecnologias. O que estamos vendo agora é a combinação dessas capacidades para criar agentes que conseguem entender contexto, acessar informações, interpretar dados e apoiar decisões de forma muito mais sofisticada”, diz Taborda.

A grande diferença dos agentes em relação às automações tradicionais, que executam tarefas previamente programadas, está na capacidade de interpretar contextos, correlacionar dados, interagir com diferentes fontes de informação e gerar recomendações.

Na prática, isso significa que procurement começa a ganhar assistentes digitais especializados capazes de atuar em atividades como:

  • Gestão contratual;
  • Monitoramento de fornecedores;
  • Inteligência de mercado;
  • Avaliação de riscos;
  • Apoio à tomada de decisão.

O profissional continua tomando a decisão, mas tem ao seu lado ferramentas capazes de processar um volume de informação que seria impossível analisar manualmente.

O que o 5º Compras Summit mostra sobre o futuro do procurement

 

À medida que a inteligência artificial assume atividades operacionais e parte das análises, o papel do comprador também evolui. Competências como conhecimento de mercado, capacidade analítica, interpretação de dados, gestão de riscos, relacionamento com fornecedores e influência organizacional passam a ganhar relevância.

Para Jamil Syrio, o avanço da IA cria uma oportunidade para reposicionar o profissional de procurement dentro das organizações. Em vez de dedicar horas a atividades repetitivas, comparações manuais e consolidação de informações, os compradores passam a concentrar esforços em análises, negociações e iniciativas capazes de gerar mais valor para o negócio. “Devemos colocar o comprador para focar, de fato, no que ele pode gerar valor.”

As discussões do evento deixaram claro que procurement está entrando em uma nova fase de maturidade. Os RPAs abriram caminho para a automação. A IA ampliou a capacidade analítica. Agora, os agentes inteligentes começam a apoiar decisões cada vez mais complexas.

O diferencial competitivo não está em quem adota mais tecnologia, mas em quem consegue combinar pessoas, processos, dados e inteligência para gerar valor real para os negócios.

E as discussões não param por aqui. Os principais temas que estão transformando as áreas de Supply Chain, Procurement, Logística e Operações continuarão em pauta nos próximos eventos da CICLO Academy. O próximo encontro será o 40º Simpósio Supply Chain, que acontece nos dias 25 e 26 de agosto de 2026, em São Paulo. As inscrições já estão abertas. Acompanhe a programação e garanta sua participação!

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