🚀40º Simpósio Supply Chain O PODER DA DECISÃO NA NOVA CADEIA DE VALOR Mais pressão por eficiência, IA acelerada e decisões cada vez mais críticas. O Simpósio Supply Chain 2026 reúne executivos que lideram essa transformação para tornar a cadeia mais conectada, inteligente e competitiva — do planejamento à execução. Dois dias de imersão estratégica. Decisões que geram impacto real.
Por muito tempo, a tributação foi tratada como um tema restrito às áreas fiscal, tributária e financeira. Mas a reforma tributária está mudando essa lógica. As discussões do 5º Compras Summit, evento promovido pela CICLO Academy, mostraram que Procurement terá um papel importante na adaptação das empresas ao novo modelo. Seja na revisão de contratos, na gestão de fornecedores, no planejamento orçamentário ou na reconfiguração das cadeias de suprimentos.
Embora a reforma seja liderada pelas áreas tributárias, seus impactos alcançam diretamente a relação entre empresas e fornecedores. Por isso, a área de Compras precisa acompanhar de perto as mudanças e participar das decisões desde agora.
“Esse é um tema muito atual, mas ainda estamos aprendendo a cada etapa, a cada avanço da reforma tributária”, afirma Fabrício Belincanta, Gerente de Compras da Pfizer. Segundo ele, Compras não precisa se tornar especialista em tributação, mas deve estar conectada ao tema, já que grande parte dos impactos será percebida justamente na gestão da base de fornecedores.
A transição para o novo sistema será gradual e se estenderá até 2033, mas os efeitos começam antes. Contratos negociados hoje já precisam considerar um ambiente tributário diferente a partir de 2027. Na prática, a reforma deixou de ser uma discussão futura e passou a integrar a agenda estratégica das áreas de Compras.
Os desafios já começam a aparecer. Na Pfizer, por exemplo, uma pesquisa realizada com cerca de 3 mil fornecedores mostrou que muitos ainda não estão preparados para a transição. Diante desse cenário, a empresa decidiu concentrar seus esforços em 60 fornecedores considerados estratégicos, priorizando análises de prontidão, possíveis alterações ded preços e necessidade de revisões contratuais.
Ao mesmo tempo, especialistas da PwC alertaram que mudanças em contratos, formação de preços, aproveitamento de créditos tributários e fluxo de caixa exigirão uma atuação muito mais próxima entre Procurement, Finanças e Tributário.
Neste conteúdo, mostramos os principais aprendizados compartilhados por Pfizer e PwC e como a reforma tributária está transformando a gestão de fornecedores, a estruturação de contratos e as decisões de compra nas empresas.
Menos decisões tributárias, mais decisões de negócio
Um dos principais objetivos da reforma tributária é simplificar a tributação sobre o consumo e reduzir distorções que, historicamente, influenciam decisões empresariais. Na avaliação de Fabrício Belincanta, uma das mudanças mais relevantes para procurement será a possibilidade de tomar decisões cada vez mais baseadas em critérios operacionais, logísticos e econômicos.
“Hoje, muitas empresas ainda realizam movimentações logísticas que não são necessariamente as mais eficientes do ponto de vista operacional, mas que fazem sentido por razões fiscais. Com a tributação concentrada no destino e regras mais uniformes, parte dessas distorções tende a desaparecer”, diz.
A mesma percepção foi compartilhada pela PwC. Segundo Mariana Carneiro, sócia da consultoria, o novo modelo aproxima o Brasil de sistemas já adotados em mercados internacionais, nos quais o tributo deixa de ser um fator determinante na escolha de fornecedores ou na localização de operações.
“No futuro, todo mundo paga a mesma carga tributária. Não importa se o fornecedor está no Norte, Nordeste, Sul ou Sudeste. O tributo será neutro e separado do preço”, explica.
Na prática, isso abre espaço para que decisões de sourcing e logística sejam guiadas principalmente por eficiência operacional, custo, nível de serviço e capacidade de atendimento dos fornecedores.
Impactos da reforma tributária nas empresas: o que muda nas finanças
Apesar da simplificação do sistema, os efeitos da reforma não serão iguais para todas as empresas. Entre as mudanças mais relevantes está a ampliação do aproveitamento de créditos tributários, permitindo que despesas e serviços que hoje representam um custo efetivo passem a gerar créditos recuperáveis.
“Toda vez que alguém pagar CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), quem adquirir esse bem ou serviço terá direito ao crédito correspondente”, explica Mariana Carneiro. “Minha despesa melhora e meu custo se mantém”.
Segundo a especialista, a mudança tende a beneficiar especialmente categorias de serviços e despesas que hoje não permitem a recuperação integral de tributos.
Por outro lado, a análise não deve considerar apenas o custo líquido das operações. Em muitos casos, haverá efeitos relevantes sobre o fluxo de caixa. “A empresa pode comprar a mesma coisa pelo mesmo custo líquido, mas precisará de mais dinheiro para realizar aquela compra, porque o crédito tributário será recuperado posteriormente”, destaca.
Por isso, o Procurement tende a assumir um papel mais ativo na construção de orçamentos, projeções financeiras e negociações. A área precisará compreender como as decisões de compra afetam custos, margens e disponibilidade de caixa.
Dos 3 mil fornecedores, 60 viram prioridade
Outro ponto destacado durante o evento foi a importância de segmentar a base de fornecedores para conduzir a adaptação à reforma tributária.
Como a Pfizer definiu seus fornecedores estratégicos
Na Pfizer, uma pesquisa realizada com cerca de 3 mil fornecedores revelou que muitos ainda não estão preparados para as mudanças previstas. Diante desse cenário, a companhia decidiu concentrar esforços nos parceiros com maior impacto para o negócio.
Utilizando critérios de gasto e criticidade, a empresa reduziu o universo prioritário para aproximadamente 60 fornecedores estratégicos, que passarão por avaliações mais aprofundadas de prontidão, possíveis alterações de preços e necessidade de revisões contratuais. “Vai ser muito difícil para a área de Compras encabeçar isso com todos os fornecedores. Precisamos priorizar”, afirmou Belincanta.
O regime tributário dos fornecedores entra no radar da PwC
A PwC também chamou atenção para a necessidade de compreender melhor o perfil tributário dos parceiros de negócios. Dependendo do regime tributário adotado atualmente, os efeitos da reforma podem variar significativamente.
“Existe uma pergunta adicional que Procurement terá de fazer: qual é o regime tributário desse fornecedor?“, afirma Mariana Carneiro. Segundo ela, empresas enquadradas em regimes diferenciados, como Simples Nacional e Lucro Presumido, podem apresentar comportamentos distintos na transição para o novo sistema.
Esse movimento reforça uma mudança importante: a reforma tributária não dependerá apenas de ajustes internos. As empresas precisarão conhecer melhor sua cadeia de fornecimento, identificar riscos e antecipar possíveis impactos comerciais e financeiros.
Contratos precisam ser revisitados
Se houve uma recomendação recorrente ao longo das apresentações, foi a necessidade de revisar contratos.
Na Pfizer, a estratégia envolve três frentes simultâneas:
- Atualização das minutas-padrão;
- Inclusão de cláusulas específicas em renovações;
- Aditivos voltados exclusivamente para tratar dos efeitos da reforma tributária junto aos principais fornecedores.
O objetivo é garantir que eventuais alterações na carga tributária sejam refletidas corretamente nos preços contratados.
Segundo a PwC, essa revisão é fundamental porque parte dos benefícios previstos pela reforma pode não chegar ao comprador caso os contratos não estejam adequadamente estruturados.
“Se as empresas não abrirem os contratos para discutir o repasse das mudanças tributárias, a redução da carga prevista pela reforma pode se transformar em lucro para o fornecedor, e não em ganho para o comprador”, alerta Mariana Carneiro.
Por isso, as áreas de Compras precisarão desenvolver um nível maior de conhecimento tributário para negociar em igualdade de condições com fornecedores e evitar perdas de competitividade.
A preparação já começou
Os debates do 5º Compras Summit mostraram que os impactos da reforma tributária nas empresas vão muito além de uma mudança fiscal. Seus efeitos alcançam decisões de sourcing, gestão de fornecedores, negociações contratuais, planejamento financeiro e estruturação das cadeias de suprimentos.
A experiência compartilhada por Pfizer e PwC reforça que a preparação já está em curso. Embora a transição se estenda até 2033, empresas que iniciarem agora a revisão de contratos, o mapeamento de fornecedores estratégicos e a avaliação dos impactos financeiros tendem a chegar mais preparadas ao novo modelo.
Para Procurement, o desafio não será apenas compreender as mudanças tributárias, mas transformar esse conhecimento em decisões capazes de fortalecer a competitividade do negócio nos próximos anos.
E as discussões não param por aqui. Os principais temas que estão transformando as áreas de Supply Chain, Procurement, Logística e Operações continuarão em pauta nos próximos eventos da CICLO Academy. O próximo encontro será o 40º Simpósio Supply Chain, nos dias 25 e 26 de agosto de 2026, em São Paulo. As inscrições já estão abertas!
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